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Eu, recém solteira, com algumas amigas também solteiras, em busca de um lugar extremamente divertido e interessante para enfrentar a data mais melosa do ano...
Para variar fui ao cabeleireiro cortar as "malenas" (Sobre o meu cabelo, merece um post mais específico, em breve), fiz as unhas, depilei as pernas, ..., algumas horas depois e já muito tarde para uma saída em Salvador neste fatídico dia, levando em consideração as filas intermináveis nas portas dos restaurantes, lanchonetes, motéis, hotéis, etc, me largo que nem uma louca para casa ainda com o propósito de tomar um banho, colocar aquela roupa, caprichar no perfume...
"PQP, preciso entregar os filmes na locadora!"
Cansada de pagar multa, às 22h05 parei na porta da extinta Claket Vídeo na Euclides da Cunha.
O cenário era bem peculiar. Locadora quase fechando, dois atendentes e um cliente solitário lá pelas últimas prateleiras.
Encosto no balcão e o atendente A, digitando alguma coisa, de cabeça baixa, demora um pouco a me visualizar. Maldito computador!
Nesta fração de segundos em que aguardo o infeliz levantar a cabeça para me ver acontece o inesperado. Uma pessoa entra sorrateiramente na vídeo locadora e me abraça pela região da cintura, prendendo meu dois braços contra meu corpo, meio que por trás, de lado, ou seja, em uma posição que eu não conseguia mirá-la.
"Aháááá!!! Te peguei!"
De fato ela tinha me pegado. Com dificuldades, haja vista o abraço ser bem apertado, viro-me tentando visualizar quem me afagava tão entusiasticamente.
Sou caloura em Salvador, vim morar nesta terra a uns oito anos atrás por causa de uma certa faculdade de Publicidade e Propaganda e fui ficando... Na Graça sempre morei, salvo o primeiro ano que residi no Morro do Gato, dessa forma, pensei, não sou popular, nem tenho tantos atributos para ser mas já conheço algumas pessoas no bairro, poderia ser um(a) amigo(a) que não via a tempos.
Uma mulher (?) magra, com camisa pólo masculina, talvez tamanho G, era bem maior que ela, uma saia indiana longa igual a que minhas coleguinhas usavam na faculdade, sandálias rasteiras de couro, aquela que fede a cocô, muito comum no Mercado Modelo, uma capanga também de couro (todo mundo sabe o que é isso não é?) transpassada no corpo, sem brincos e cabelo raspadinho estilo Ronaldinho.
"Ehh, oi, tudo bem?" (Eu não sabia o que falar!)
Momento olho no olho, por um triz não me apaixonei.
"Acho que você se enganou"
Neste ponto ela já tinha me soltado e agora me fitava analiticamente.
"Poxa, você é muito parecida com minha professora de Yoga"
Retribuí com um sorriso amarelo.
"Você se parece demais mesmo com ela!" (Ela estava eufórica com tamanha semelhança)
Pausa para a descrição do ambiente geográfico.
Um jovem casal entra na locadora, o atendente A que levantou a cabeça na hora do abraço surpresa, continua a digitar algo e o atendente B, do lado de fora fazendo uma social com o pizzaiolo do estabelecimento vizinho.
Retribuí com outro sorriso amarelo e gaiatamente disse:
"Mas eu não sou professora!"
De repente o não tão inesperado dessa vez aconteceu. A criatura começou a proferir todo tipo de palavrão, dos mais escabrosos aos não tão assim, descrevendo a tal professora de Yoga, sua algoz, que até enfiar o **** ** ** * ****** dela enfiou, (PelamordiDeus) com lágrimas mistas de ódio e dor nos olhos, e cuspindo ao mesmo tempo que gritava. Sim, ela gritava dentro da locadora, o atendente A continuava de cabeça baixa a digitar, sem dúvidas praticando a máxima da descrição que alguém disse a ele ser o ideal a se fazer nesses casos, o casal na última prateleira antes ocupada pelo cliente solitário que já tinha ido embora e eu, desesperada, completamente encurralada, a própria vaca a caminho do abate, entre ela e uma prateleira de DVDs só sabia repetir, um verdadeiro disco arranhado:
"Eu não sou sua professora de Yoga"
Passados segundos intermináveis de desespero ela diz:
" Eu sei que você não é minha professora de Yoga, você só se parece com ela."
Jesus, que alívio!! Naquele momento pensei, tranquilo, ela vai recuar, vou entregar os DVDs, que ainda estavam em minhas mãos e sigo rumo a comemoração do dia com as amigas solteiras. Ledo engano.
"Mas me diga uma coisa, como juíza que sei que é."
"Eu não sou juíza." (Impaciente)
"O que você faria em meu lugar?"
A pergunta foi meio complexa para o conturbado momento, o que eu faria no lugar dela? Tipo, baixaria o cacete na professora, viraria lésbica e me atracaria com a dita, hum, ela nem me deu tempo de responder.
"Eu beijaria ela."
A cena seguinte foi de cinema, bem digna de acontecer em uma locadora. Uma mulher em cima de mim e da prateleira de DVDs, beijando meus braços, minha bochecha, eu tentando me limpar da bába proveniente dos beijos e ao mesmo tempo imaginando uma forma de sair dali, o atendente A de cabeça baixa, digitando alguma p**** no computador, o jovem casal ainda na última prateleira, totalmente indiferente ao que acontecia, o atendente B entrando neste momento, olhando a cena e pensando pela feição que exprimiu: "Opaaa!!! O negócio aí tá bom heim?!"
Até hoje tento entender como cheguei ao carro.
No outro dia, me dirigi a locadora, indignada e cheia de razão. Conhecia os donos, uma dupla (??) bacana, precisava contar o ocorrido a eles, outras clientes precisavam ser protegidas das garras lesbianescas daquela tentativa de mulher.
"Olha pessoal, preciso mesmo contar a vocês o que aconteceu ontem aqui (...) como ninguém me ajudou? Tinha dois atendentes na locadora e mais um casal, ninguém moveu um DVD sequer para me ajudar..."
E o dono A, consternado disse:
"Rachel, não acredito que isso aconteceu com você..."
Seguido pelo dono B:
"Bem que o atendente A comentou sobre uma briga estranha de CASAL que rolou ontem, pertinho do horário de fechar..."
Cuidado com as professoras de Yoga.

Um comentário:
Porra, isso foi excitante, moça,
abraço, professora
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